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Opinião d'Ouro - 'Atenção ao que se escreve e como se escreve'

  • 2017-07-16 19:09
  • Autor: António Lúcio


'A crónica de uma corrida não pode ser uma mera redacção como aquelas que fazíamos  no nosso tempo de escola primária...'

Vivemos numa era global onde tudo se sabe (ou julga saber), onde tudo é escrutinado (ou pensa-se que o seja) e onde, muitas vezes, aquilo que se escreve é utilizado pelos detratores da festa brava (alguns também no interior da mesma) para nos atacar ainda mais.

Já referi algumas vezes que a proliferação de sites e de blogues não é sinónimo de qualidade e de conhecimento, e cada vez mais quando me debruço na análise ao que vejo escrito em alguns sítios, sinto arrepios por tanta falta de conhecimentos técnicos de toureio e, pior ainda (a ordem é arbitrária), de língua portuguesa.

A crónica de uma corrida não pode ser uma mera redacção como aquelas que fazíamos  no nosso tempo de escola primária, hoje ensino básico. E o pior é que nem o básico da nossa língua materna aprenderam.  Não sabem construir as frases, não fazem a mais mínima ideia do que é o “lead” da notícia, ou seja, as primeira frases que evidenciam os pontos fortes/pontos fracos e que tentam despertar o interesse para o restante texto que não sabem desenvolver nem como o finalizar em tantas e tantas situações. Se acrescentarmos a tudo isto o pouco que sabem de toureio, então está tudo dito.

Escrevem-se frases que não fazem sentido. Sujeito e predicado, não sabem o que são. Correspondência dos tempos verbais? Isso é o quê? Aplicam alguns termos porque já os ouviram ou leram alguma vez mas não fazem ideia de como os encaixar naquele raciocínio ou sobre o próprio conceito em si. Expressões que, tudo somado, têm valor igual a zero.

Mas o mais grave é que, dando a conhecer estes textos sem os corrigir minimamente (para alguns erros de português basta activar o corrector ortogtáfico do Word…), os responsáveis pela sua publicação em sites e blogues estão a ser coniventes com uma má informação, no mínimo muito dúbia, prestada ao grande público e a dar trunfos àqueles que são contra a nossa paixão, a nossa Festa Brava.

Há pessoas que, sendo bons aficionados, que percebem de toiros e de toureio, não têm capacidade para transformar essas suas ideias, essa forma de ver e sentir a corrida, a faena, para o papel ou até na expressão oral quando entrevistados. Não importa. Não são esses a quem me dirijo porque têm o necessário sentido de responsabilidade e não precisam de tentativas de protagonismo e tentarem escrever em sites e blogues…

Refiro-me, e dirijo-me aos que, querendo escrever ou falar de toiros, devem dedicar parte do seu tempo à leitura de boas obras de temática taurina, de língua portuguesa (porque será que Eça de Queiróz ainda hoje é dos autores de língua portuguesa mais lidos???), que escutem e aprendam com os mais velhos…

Parem um pouco, escutem com atenção. Tentem escrever textos com princípio, meio e fim. Coisas com “cabeça, tronco e membros”! Treinem bastante antes de publicar algumas coisas – peçam a alguém que vos faça, por exemplo, a correção dos textos!- e evitaremos ter expressões desenquadradas e sem sentido que não credibilizam ninguém, Sei que não é fácil… mas tenham aquilo que é essencial e que se chama Humildade!!!

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